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terça-feira, 23 de abril de 2013

Pela Paz, contra a torpeza da guerra



No poema abaixo   Paz é vista como uma porta que se abre para deixar  a vida passar. 

Vida, tantas vezes  represada  pela  violência.  
Só a paz pode abrir  essas represas e deixar a vida seguir seu curso, como um rio.

Sem paz não há vida! Vida no sentido pleno, no mesmo sentido que  Jesus
nos ofereceu,  a Vida abundante.

O Poema abaixo, da escritora  portuguesa, Natália Correia,  consegue retratar de forma excelente  a importância  da Paz para a verdadeira Vida.

                                                                                                               Claudio Divino Pereira


Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza, 
Pelas aves que voam no olhar de uma criança, 
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza, 
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança, 
Pela branda melodia do rumor dos regatos, 

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia, 
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos, 
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria, 
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes, 
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos, 
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes, 
Pelos aromas maduros de suaves outonos, 
Pela futura manhã dos grandes transparentes, 
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra, 
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas 
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra, 
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna, 
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz. 
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira, 
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz, 
Abre as portas da História, 
                               deixa passar a Vida! 

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)", Portugal




terça-feira, 16 de abril de 2013

PACIFICAÇÃO EM BRASÍLIA



O Distrito Federal, uma das sedes da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de Futebol de 2014 começou o ano mal, no aspecto violência urbana. Brasília também precisa ser  "pacificada".
Observa-se um aumento alarmante  da violência  no DF, com mais  homicídios  e sequestros relâmpagos.  Em março, em apenas um final  de semana, tivemos pelo menos oito assassinatos. Eles ocorreram em Santa Maria, Planaltina,  Riacho Fundo e  Ceilândia.

No chamado Mapa da Violência - 2013, do Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos, o  DF ocupa o 9º  lugar entre as unidades da federação mais violentas do Brasil; logo abaixo do Rio de Janeiro. Foram 651 mortes "matadas" por armas de fogo em  2010  com crescimento  de 10,2%   na última década.

Bem que os gastos exorbitantes com a construção de um grande Estádio Nacional para a copa do mundo  poderiam  ser utilizados  com mais racionalidade. O fraco futebol candango não demanda um estádio para  72  mil pessoas. Portanto, a obra será subaproveitada nos próximos anos. Mas se os recursos, 1,015 bilhões de reais, dessa obra monumental, fossem revertidos para mais Segurança Pública e principalmente para  Educação, com certeza a população se  beneficiaria com uma cidade mais segura.
A capital que tem a renda per capta mais alta do  País, está  se tornando um paraíso  para o crime organizado  local,  que  cresceu  e  recebeu  reforço  de criminosos  de outras  regiões , atrás  da  alta  renda  da população e  da  frágil  segurança  pública.
O crime do sequestro-relâmpago vem se tornando frequente na cidade e as vítimas, antes escolhidas de acordo com suas condições econômicas, hoje não têm perfil definido. Em 24 dias de março, o Distrito Federal registrou 47 casos de sequestro relâmpago.
  A maioria  dos especialistas em segurança definem a violência  como um problema social, pois enquanto  houver tão grande número  de pessoas  sem acesso à saúde, emprego e educação, não há como mudar a situação.  Mas também o fácil acesso da população às armas de fogo  faz com que  a violência  letal, chegue  a níveis alarmantes. Pois infelizmente, além destas armas serem usadas por maginais  nas suas ações criminosas, elas servem também para muitos cidadãos que querem resolver "na bala" seus conflitos  pessoais, mesmos  os mais banais "acerto de contas".

           O profeta  Jeremias  escreveu "Procurai a paz  da cidade...." Jr. 29.7  Além dos problemas sociais apontados pelos especialistas  existe ainda  o problema do Mal, que afeta o ser humano.  Claro que a melhoria de condições sociais  vai reduzir a violência. Mas somente será  resolvida quando as pessoas entenderem que  a paz é algo íntimo e precisa  ser buscada individualmente.  A maldade é algo inerente  ao ser humano; pessoas educadas,  cultas e de diferentes classes sociais  também  cometem violência passional. Um notório exemplo  disso são assassinatos, chamados crimes passionais cometidos por cônjuges ou amantes das vítimas;  crimes que não escolhem  classe social.

                Fala-se muito sobre implantar uma "cultura de paz" em nosso país. O que muitos desses especialistas não enxergam é que já existe essa cultura  de paz em um segmento  da população. São aqueles que tomaram conhecimento do Evangelho da Paz de Jesus Cristo e abraçaram essa fé. Um povo que existe a mais de dois mil anos, os cristãos. Milhares de cidadãos que, antes de conhecerem o evangelho de Cristo, roubavam, depois  não roubam mais, matavam,  não matam mais, se drogavam ou vendiam drogas, hoje não usam nem fazem parte do tráfico de drogas; e  por que? Porque foram alcançados com a mensagem  da paz em Cristo Jesus e permaneceram nele.
Portanto há milhões de cidadãos no nosso país que participam de celebrações desse Evangelho da Paz. Em casas ou templos, nas periferias ou nos centros, na zona rural ou urbana;  reúnem-se para cultuar. Nestes locais são ensinados a abdicarem da violência como alternativa  para resolver seus conflitos  e a encontrarem outras soluções pacíficas no  diálogo e no perdão aos inimigos e em não retribuir o mal  com o mal.  Ao tomar conhecimento  do evangelho  de paz e abraçar esse evangelho a pessoa  é, portanto,   introduzida  numa cultura de paz. Aquele que passa a ler e praticar esse evangelho é uma pessoa de paz.

Meu incentivo é que cada um comece  pacificando sua  vida, abraçando esse Evangelho da Paz,  contribuindo  para a paz  de sua casa, de sua família,  até  chegar  na paz  de sua cidade, que pode ser Brasília, Rio, Bagdá, Toronto, Nova Iorque, Buenos Aires, Quixeramubim....

"E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz".  Jeremias 29:7

domingo, 7 de abril de 2013

Nova Lei das Domésticas e a dor de cabeça das patroas


       PEC DAS DOMÉSTICAS 

A nova Lei das empregadas domésticas está esquentando a cabeça  de muitas donas de casa pelo Brasil afora.

A nova Lei entrou em vigor a partir de 3 de abril de 2013 e, com ela, passam a valer os novos direitos.  Essa lei vale também para babás.

Será que vai ficar difícil pra maioria das famílias ter uma empregada doméstica ou babá, após essa nova lei? Com certeza, sim. E tem mais, há quem diga que essa profissão, nesse modelo como temos visto nas últimas décadas, vai  se extinguir.
           
Alguns pontos importantes da lei são as horas extras, a jornada de trabalho e o controle das horas trabalhadas. A jornada passa a ser de 44 horas semanais, ou seja, 8 horas por dia. O horário de almoço não conta nesta jornada. 

 O controle do horário de trabalho deve ser feito tanto pelo empregado quanto pelo empregador. O patrão deve colocar uma folha de ponto para ser assinada diariamente pelo empregado. É importante controlar os horários de entrada, almoço, saída e horas extras.  A residência que tem empregados deverá funcionar como se fosse uma empresa para esses empregados e empregadas.

E ..., patroa, cuidado! Não adianta fazer arranjos, ou acordos informais, por fora, porque quando  a empregada ou babá  resolverem  sair, irão ao sindicato e a senhora vai ter que pagar todos  os direitos, de qualquer jeito.

Mas essa lei, então, foi  aprovada  no Congresso Nacional  para dificultar a vida  das donas de casa? Estão se perguntando algumas mulheres. Há essa grande apreensão porque tem patroas que nem imaginam suas vidas sem uma “secretária do lar” para cuidar da casa; seria humanamente impossível para algumas donas de casa dar conta de tudo  na casa  e ainda ter uma profissão, ou seja, passar oito horas ou mais  trabalhando fora de casa.

Pensando friamente, senhoras, a lei é boa, aliás, é ótima para que seja feita um pouco de justiça para milhões  de trabalhadoras que servem  às famílias brasileiras.

A verdade é que essa Lei tem preocupado tantas donas de casa, a ponto de condenarem a tal da PEC das domésticas, porque as patroas sabem que quanto mais direitos têm de pagar aos empregados, menos chances elas tem de manter sua “secretária”.  E os orçamentos já andam apertados  demais para encarar mais esses gastos.

Mas  porque a ideia de ficar sem uma “doméstica”  seria quase um apocalipse  para muitas famílias da classe média.

Só pra começar a refletir podemos pensar em quem vai lavar, passar, esfregar, cozinhar,  etc., se apenas a mulher que é  dona de casa e a empregada  fazem isso? E a resposta é tão óbvia e tão  simples que parece ridícula!  Ela está em dividir todas estas tarefas com o maridão e os filhos, na falta da "doméstica".  E podem ficar tranquilos homens, não é o fim do mundo, ainda!

É tão óbvia, essa resposta, que muitos  nem conseguem  aceitá-la; porque a nossa  cultura machista, reproduzida a séculos,   não ensina nem treina os homens para que eles sejam igualmente  responsáveis pela limpeza e higiene do ambiente que eles  vivem. Mas, pode ter certeza que para manter uma empregada, muitos pais terão que decidir  tirar o filhinho do inglês, ou da escola particular, ou vender um dos carros e andar mais de metrô, e assim por diante.

As patroas, ou ex-patroas estão nessa crise porque, infelizmente, muitos pais ensinaram a seus filhos que fazer pequenas tarefas domésticas como lavar as louças ou o banheiro, por exemplo, não é um serviço honrado  e, portanto, deve ser realizado  pelos "subalternos". Esse tem sido um grande erro de nossa cultura.

Esquecem, até mesmo a patroas cristãs, que todo serviço é digno, que o próprio Filho de Deus ensinou a enorme importância de servir ,e que aquele que quiser ser grande  seja servo  de todos. E agora, se não conseguirem manter suas “secretárias”, como vão explicar para os “filhotes” que eles também terão que encarar o rodo e a vassoura se quiserem um banheiro limpo.

A boa notícia é que nunca é tarde para aprender a trabalhar e que não existe  trabalho que não seja honrado, inclusive , lavar uma roupa ou passar a bucha  no vaso sanitário! 





            

sábado, 30 de março de 2013

Lava-pés, desafio a viver a solidariedade



Lava-pés... Uma parábola viva

Vou começar com uma pergunta:  gostaria de saber o que vem à sua  memória,  com mais força, mais impacto, quando chega a semana da páscoa.

Então vamos refrescar nossa memória para depois voltarmos à essa pergunta.

Numa longínqua noite de quinta-feira, numa província dominada pelo  Império Romano,  um jovem mestre,  que era perito em utilizar parábolas nas suas palestras,  naquela noite  dramatizou o trabalho de um escravo.

Aquele mestre era  Jesus de Nazaré.  Ao lavar os pés dos discípulos, em seu último jantar com eles,  encarnou o personagem de um escravo.  Homens ou mulheres escravos,   tinham  como uma de suas obrigações lavar os pés  de seus donos e senhores.

Durante o jantar o mestre tirou  seu manto,  tomou  um toalha e uma bacia, se abaixou e  passou a lavar e enxugar os pés  de todos  os discípulos, sem exceção. Inclusive, daquele que estava prestes a entregá-lo para ser crucificado, os pés do traidor. Perplexidade, foi o que experimentaram seus seguidores, até que entenderam o que significava aquele ato.

Jesus utilizou uma dramatização como técnica de ensino. Técnica  que torna os ensinos muito mais vivos na nossa memória; mais que um sermão ou uma palestra.  Portanto, o mestre queria que uma grande lição ficasse  registrada na mente de todos os discípulos.

Em meio à toda riqueza de símbolos e ensinos  que  envolvem o tema da Páscoa Cristã,  é  justamente  esse momento,  em que Jesus fez o papel de servo, ou escravo, que mais me marcou nos últimos anos.  É disso que  falarei  logo abaixo.  Trata-se de uma passagem bíblica central na doutrina de um grupo religioso que surgiu na suíça, por ocasião da reforma protestante, no século XVI: os Anabatistas, que em português significa rebatizadores. Foram chamados assim  porque batizavam as pessoas de novo, depois de adultas; pois não aceitavam o batismo infantil.

Mas voltando à pergunta inicial, gostaria de saber o que viria à sua  memória,  com mais força, mais impacto, quando chega esta semana da páscoa.  Dentre todos os símbolos e imagens que cercam a Páscoa, o que mexe mais com você?    Pode ser que alguém diga que é o chocolate, eu entendo!  Mas Deixando de fora os ovos,  os coelhos e o feriado prolongado; tem mais alguma coisa que te marcou  nos últimos anos ?

Se você  é daqueles ou daquelas que  gostam  de história,  poderia passar pela sua cabeça  a cena da fuga  de Israel, do Egito; e olha que há  símbolos e imagens à  vontade, nesse campo.

É quase  impossível  em uma só crônica conseguir abranger  tanta cenas, imagens, dramas, tragédias, sentimentos  envolvidos  nessas  passagens bíblicas, portanto, vou apenas citar os episódios para refrescar nossa memória:

- O Sangue de um cordeiro servindo  de tinta para pintar os umbrais das casas  dos Israelitas;
- Cheiro de churrasco; e dos bons. Carne  de cordeiro  assada tomando conta do ar de uma cidade inteira; pois em todas as casas dos israelitas, um cordeiro foi sacrificado.  Além do cheiro de carne havia também o do pão assado (sabe, no natal, que em quase toda casa que você entra pode sentir o cheiro  do pernil de porco ou peru, assando no forno! Pois é,  algo parecido ocorreu na  primeira  páscoa da história, só que com carne de cordeiro);
-  Luto, dor, gemido de desespero   em um país  inteiro.  Em todas as casas dos egípcios havia um ou mais mortos, devido a décima praga: a morte dos primogênitos;
- Uma mudança coletiva; o êxodo. Uma população inteira  deixando sua cidade. Seria mais ou menos como transferir  a população  de Brasília  para o outro estado da federação;  e todo mundo saindo num só dia;
- O mar Vermelho, se  abre; e forma-se um corredor no mar para  passagem  do povo  de Israel;
- O afogamento  coletivo  de Exército de Faraó, no mesmo  Mar Vermelho;
- A dança  de júbilo, das mulheres israelitas,  após  a travessia  do mar

Temos aí um misto  de cenas  de drama, aventura, terror, etc, que é pra nenhum Steven Spielberg botar defeito!

Mas e na última páscoa de Cristo, na terra!  O que dizer! Há  cenas  igualmente,  impactantes, e até mais! Recordemos:

A última ceia  de Jesus com seus  discípulos; na qual ele profere suas últimas palavras, e lava os pés aos discípulos;
- O vinho e o pão  que são utilizados  como símbolos do sangue do Senhor e de seu corpo;
-  O suor em gotas de Sangue na mesma noite; da agonia  de Cristo  no Getsêmane;
- A traição  mais conhecida  no mundo:  traição  de Judas Iscariotes, anunciada na hora do jantar;
- a Capital de Israel, uma cidade inteira,  em alvoroço pela prisão e  julgamento  do jovem  pregador e mestre da Galiléia;
- Um julgamento  em praça  pública no qual o governador Pilatos, teatralmente,  lavou suas mãos perante a platéia;
- Mais sangue  devido à tortura imposta a Jesus pelos soldados  romanos;
- Um homem  carregando uma vigota de madeira para ser crucificado;
- Execução.  Pena  de morte  por Crucificação;  de Jesus  e dois ladrões;
- A natureza se expressou, pois o dia  escureceu  em plena tarde;
- Acima de todas as anteriores: a Ressurreição de Cristo.

São tantas  passagens extraordinárias, que não é à toa que ao longo da história tem sido exploradas em sermões, na  literatura  e pelas  artes de um modo geral, e Teatro, e Encenação da Paixão de Cristo nas igrejas e ao ar livre,  e filmagens para cinema e televisão, etc.

            Em meio a tanta riqueza de ensinos, símbolos, histórias, cenas, enfim tudo que citei acima, poderia passar despercebido um simples jantar  do senhor com seus discípulos, no qual ele faz questão  de lavar-lhes os pés. Mas Deus não permitiu que tal acontecesse, pois João, um dos doze que estavam com o mestre à mesa, deixou bem registrado no seu evangelho no capítulo 13, com detalhes, toda a cena. Passo a citar uma pequeno trecho que João escreveu:

 “Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.
            Durante a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que traísse a Jesus, sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.”

Voltando aos Anabatistas, aquele movimento de reforma radical surgido no século XVI. Eles historicamente, consideram  de grande relevância  os acontecimentos da última  ceia  de Jesus com seus  doze discípulos.  Especialmente o momento do lava-pés.  Tanto que essa passagem bíblica de João, capítulo 13, é mencionada constantemente nos seus escritos como  base para um dos pontos fundamentais da fé cristã anabatisa: o amor e o serviço ao próximo. 
Portanto, trata-se de um texto mencionado frequentemente nas suas igrejas, independente de ser páscoa  ou não, para lembrar aos irmãos que o servir por amor a cristo é  um dos ensinamentos básicos de Cristo e do Novo Testamento. Dentre os grupos anabatistas que  conservam essa tradição e realizam a cerimônia de lava-pés, estão os Menonitas, os Irmãos Menonitas, os Quakers, os Amish e outros, espalhados em várias nações.

 Nessas  igrejas anabatistas, portanto, ainda se realiza a cerimônia de lavar  os pés, literalmente,  nos templos ou retiros. Os pastores, pastoras e outros líderes  tomam  toalhas  e bacia e água,  lavam e enxugam os  pés dos demais membros da igreja,  e relembram as palavras  de Jesus,  do amor  e serviço que devemos prestar uns aos outros. Eu pude participar de várias dessas celebrações; o que muito impactou minha vida.

Entretanto, não se trata de uma cerimônia exclusiva de um só grupo religioso, pois Católicos Romanos, Luteranos e Anglicanos também realizam essa cerimônia  nos seus cultos  e missas, para  lembrar os passos do mestre   na semana  santa.

Agora voltando à passagem que João escreveu.  Aquela lição de humildade, sabiamente ensinada pelo Senhor, na sua última noite, deixou os doze discípulos desconcertados. A ponto de Pedro tentar que seus pés não fossem lavados pelo mestre; mas não pode impedir diante da insistência de Cristo em lavar-lhe também.

Você está percebendo o que Jesus queria ao se comportar como escravo para seus seguidores? Era demonstrar que Amar é servir; amar é submeter-se.  Assim como um submarino, que necessita submergir nas águas para cumprir  seu propósito, assim  o seguidor de Cristo só cumpre seu propósito quando aprende a submeter-se a Deus e também aos demais irmãos e agir como servo de todos.

 Além de expressar verbalmente o amor, temos que realizar ações práticas de serviço às pessoas, pois isso é o que dá sentido à nossa pregação.   O serviço  é o próprio amor  em ação. O compartilhar o pão; é a solidariedade.  

O exemplo de Jesus demonstra que ele era Senhor, mas também  Servo.  Ele é apresentado nos evangelhos andando pelas aldeias, visitando pessoas enfermas, curando-as, curando endemoninhados, ensinando ao povo humilde nas casas, no templo, nas sinagogas, na praia, nos montes; perdoando pecadores e pecadoras; acalentando os desvalidos, os párias sociais, confortando os enlutados, desafiando  a abandonar a ganância; visitando casas de pecadores; conversando com mulheres, crianças, mendigos, cegos, aleijados, leprosos, e curando toda sorte de enfermidades; ressuscitando mortos, confrontando a hipocrisia das autoridades políticas e religiosas, alimentando o povo, lamentando a dureza dos corações dos ouvintes, chorando.

Enfim, Ele que veio para servir; e amou o ser humano até o fim, a ponto de se entregar para ser crucificado.

Toda a vida de Cristo  foi de servo obediente a Deus Pai, que o enviou; que não  fazia o que ele próprio desejava, mas obedecia completamente à  vontade  do Pai; que seu prazer era cumprir a vontade do Pai.   Por isso, Jesus tinha autoridade para ensinar a seus discípulos que obedecessem suas palavras  e seguissem  seu exemplo.

Numa sociedade onde as pessoas são incentivadas a serem estrelas, a "brilhar mais que o sol", a serem deuses, essa lição de humildade e serviço, do Lava-pés, choca muita gente;  continua sendo desafiadora a todos nós, e precisa ser ensinada  e vivida até  o fim. 

sábado, 23 de março de 2013

O VERDADEIRO ESPÍRITO DA PÁSCOA É SERVIR




Vai receber visitas na páscoa!

O feriadão  da páscoa está chegando e nos convida a pensar  em um passeio com a família;  mas claro,  às vezes o bolso não pensa da mesma forma, e você acaba decidindo  ficar em casa mesmo.  E, talvez, já tenha gastado uma grana comprando ovos de chocolate  pros meninos  e o tradicional  peixe  da semana santa;  e esses peixes  ficam  "salgados"  na páscoa. Então  você, assim como eu,  é um daqueles, ou uma daquelas,   que vai ficar em casa com a família.Tudo bem, é um ótimo programa!

Mas, e se alguns parentes queridos te ligarem  dizendo  que querem  passar a páscoa  com você, e já compraram as passagens!
       Aí  não tem mais jeito. Você já disse que não ia viajar; e não  tem mais desculpa. A não ser que invente uma mentira esfarrapada, terá que recebê-los. Mas não se desespere! Antes  de começar a reclamar que você, dessa vez,  vai  ser o próprio sacrifício  da páscoa,  fique calma. Acalme seu marido! Aproveita para recebê-los bem, mas lembre-se, com o que você tem!

A hospitalidade pode ser uma experiência abençoadora em sua vida, lembre-se que, "Alguns, sem o  saber,  hospedaram  anjos".

Tem pessoas  que querem  impressionar os visitantes. Cuidado,  isso pode ser uma armadilha, Se você agir assim, poderá  gastar mais do que pode, com comidas ou bebidas; e depois vai se arrepender; e ainda corre o risco  de ficar reclamando que a culpa foi daquele  "cunhado folgado" ou daquela  "sogra palpiteira".

Receba-os com o que você tem; o mais importante é que seus hóspedes se sintam bem recebidos, que você está disposto a se esforçar para servi-los da melhor  forma. Sim, é esta palavra mesma  que você  ouviu  "servi-los"! Se você não está disposto a ser um servo para suas visitas então ninguém nunca vai se sentir bem em sua casa. Eles são  seus convidados  e você vai agir como "servo" para que eles tenham um excelente fim de semana  ao seu  lado. Trabalhem juntos, no caso do casal,  para deixar o ambiente bem  limpo, principalmente o quarto onde os visitantes vão dormir. Cuide bem das roupas de cama e deixe as toalhas lavadas a disposição deles. Faça tudo isso antes dos convidados chegarem. Não é bom que eles vejam toda a bagunça da arrumação.

Lembre-se, diz um ditado, que eu ouvi só uma vez mas achei muito bom:
"que os hóspedes, por piores que sejam, são sempre melhores que os donos da casa."

Portanto, seus visitantes e hóspedes são as pessoas mais importantes. Trate-os bem,  aproveite para exercitar  o seu lado de servo,  seguindo o exemplo de  Jesus. Agindo assim você vai se sentir surpreendentemente bem e o clima em volta de você, a atmosfera  da casa  vai melhorar, pois o amor muda o ambiente. Servir  é amar! Em resumo, receba como você gostaria  de ser recebido, tudo bem!?

Esse é o espírito da páscoa: Jesus Cristo que era Rei, deixou sua glória  para ser servo  de todos;  e convidou  seus  discípulos a fazerem o mesmo.

Lembra o que aconteceu  com os discípulos do Senhor, no jantar da  quinta-feira que antecedeu a morte  de Jesus? Pois é, de acordo com a narrativa de João, Jesus  tirou a capa, tomou uma toalha e lavou os pés de todos os apóstolos, inclusive de Judas o traidor. Depois disse: "vocês me chamam de mestre e Senhor; e eu sou mesmo. Portanto se eu, sendo Senhor, lavei  vossos  pés, deveis lavar os pés uns aos outros".

Aproveite bem cada oportunidade  de servir, seja recebendo alguém só para um cafezinho  ou  hospedando por alguns dias.  Tenha uma feliz Páscoa!


"Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a,
sem o saber acolheram Anjos" Hebreus  13.2




sexta-feira, 15 de março de 2013

Ciclista atropelado teve o braço decepado, sofreu por falta de misericórdia!



Um perdeu o braço porque o outro não tinha coração.
Um jovem ser atropelado em São Paulo  já se tornou coisa  corriqueira. Isso já  não causa  grande repercussão devido a dezenas de casos dessa natureza , que infelizmente  moradores das grandes cidades já estamos  acostumadas; uma violência  que não quer acabar.
Mas domingo passado, um caso ganhou  repercussão nacional:  um jovem universitário Alex Siwek, 22 anos,  atropelou e decepou  o braço do ciclista David Santos Souza, na Avenida Paulista. O motorista não parou para prestar  socorro à vítima .
Daí pra frente tudo que aconteceu parece cena de filme  de terror!
Ao chegar em casa  viu que  havia um  braço humano, decepado,  no  interior do seu carro. Imagino o pânico que invadiu o atropelador. Então ele decidiu cometer outro crime: jogar  o  braço decepado  num córrego da cidade de São Paulo.
A crueza  desse fato  estarreceu  a  comunidade. A mídia  deu bastante  ênfase ao caso  e comoveu  muita gente.
Tento imaginar o que pode levar um rapaz a não prestar  socorro  e depois  se livrar  do braço de um semelhante que acabou  de decepar.  Alex Siwek  alegou  que o  não prestar socorro foi devido o medo  de outros ciclistas e pedestres resolverem linchá-lo; pode ser que a bebida  alcoólica que ingeriu o deixou um pouco  fora de si  e só queria se livrar daquele braço acusador,  no interior  de seu veículo.
Em todo caso, um  jovem ficou sem braço, porque o outro não teve coração; não teve misericórdia!
A palavra misericórdia vem do Latim. A primeira parte  "miserere" é sentir piedade, sentir compaixão ;  e  "cor"  é coração.
De fato, este  e milhares  de outros jovens  não demonstram nenhuma compaixão em situações semelhantes.  Quantas pessoas ateiam fogo em moradores  de rua, espancam homossexuais até a morte, matam prostitutas, e praticam outras atrocidades!    Portanto,  não demonstram misericórdia, nem  compaixão  no coração. É como se não tivessem coração.
Na verdade  todos temos um coração. E sobre  o coração  do ser humano só mesmo Deus  para conhecê-lo. 
O profeta Jeremias  discorrendo  sobre  essa  figura  de coração humano  escreveu em seu livro:
 "Enganoso é o coração, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá". Jr. 17.9 
Por esta falta de misericórdia, do universitário, e de  inúmeras outras pessoas,  fica claro que há  uma maldade latente  em cada ser humano. Está  em nossa essência.
Todos somos como esse rapaz  que atropelou, pois somos todos maus mesmo. Não falo isso para defendê-lo, pois ele terá de arcar com as consequências de seus atos covardes.  Mas falo  de um conceito bíblico  que diz:   "todos pecaram  e carecem  da glória  de Deus". 
Para este crime, este pecado do jovem Siwek, de dirigir sob efeito de álcool, da omissão  de socorro e  de ter tirado a chance  do implante  do braço  do ciclista, a verdadeira solução estaria  no arrependimento. A punição com pena de prisão é necessária, mas não traz solução.
Arrepender e confessar ao próprio Deus, àquele que criou  todos os braços do ser  humano; e depois de confessar  nunca mais agir dessa forma é o que resolver esta questão.
Só esse Deus  pode nos dar um novo coração, lavado de toda cruedad e e  do pecado .

sexta-feira, 8 de março de 2013

PARABÉNS MARIA DA PENHA, PARABÉNS MULHERES


Neste dia internacional da Mulher, escolhi Maria da Penha Maia Fernandes, para homenagia-la,  representando todas as mulheres que embora oprimidas, lutam para acabar com uma das violências mais sub-humanas: a violência contra a mulher!

Maria da Penha Maia Fernandes (Fortaleza, Ceará, 1945) é uma biofarmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 67 anos e três filhas, hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica.
Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada pelo então presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Maria da Penha, na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.

Em 1983, seu marido, o professor colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002, hoje está livre.

O episódio chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Hoje, Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará. Ela esteve presente à cerimônia da sanção da lei brasileira que leva seu nome, junto aos demais ministros e representantes do movimento feminista.

A nova lei reconhece a gravidade dos casos de violência doméstica e retira dos juizados especiais criminais (que julgam crimes de menor potencial ofensivo) a competência para julgá-los.

Parabéns Maria, Parabéns  mulheres!

Fonte : Wikpédia

Maria da Penha