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Professor da UFSC mostra roupas que usava quando foi esfaqueado |
Haveria um
tempo em que os coturnos ensanguentados, dos soldados, e toda roupa manchada de
sangue, pela guerra, seriam queimados devido ao nascimento de um menino; um
dos nomes desse menino seria Príncipe da Paz.
A violência não teria mais sentido após aquele
nascimento.
Príncipe da Paz - Esta é uma
expressão utilizada pelos profetas de Israel, mais especificamente pelo profeta
Isaías, e que foi recebida pelos escritores
do Novo Testamento como cumprimento em Jesus de
Nazaré.
“Porque todo calçado que levava o guerreiro no tumulto da batalha, e todo o manto revolvido em sangue, serão queimados, servindo de combustível ao fogo.Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Is 9.5-6
Lucas
narra em seu evangelho que na noite do
nascimento daquele menino surgiram anjos nos arredores de Belém, da Judeia,
para anunciarem a alguns pastores, que
vigiavam seus rebanhos à noite, a grande notícia do nascimento daquela criança.
Então, a seguir, uma multidão de anjos
celestiais recitaram em uníssono:
“Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem” Lc 1.14
E
assim, após se tornar adulto, aquele
menino pregou e transmitiu essa paz profetizada por Isaías e anunciada pelos anjos, aos pastores . A proclamação de um Reino de paz , amor, perdão e reconciliação, foi o cerne da sua vida e de sua mensagem.
Essa
consciência da proclamação de um evangelho da paz fazia parte do entendimento
da igreja primitiva de Jesus Cristo, a igreja do primeiro século. O próprio
Lucas, que também escreveu o livro de Atos dos Apóstolos, narrou o discurso de
Pedro, na casa de um militar romano, resumindo a pregação da igreja da seguinte forma:
“ Pregar a boa nova da paz por meio de Jesus Cristo” At. 10.36
Este,
infelizmente, tem sido um aspecto muito negligenciado da missão de Jesus:
o
aspecto da pacificação, da resistência não-violenta ao mal, da futilidade e
natureza autodestrutiva do ódio e da vingança.
Como
este tema é relevante para nossos dias! David
Bosch, em seu excelente livro Missão Transformadora, Ed. Sinodal, escreve que :
“No mundo contemporâneo, em que o terrorismo, a violência, o crime, a guerra e a pobreza, são os assuntos atuais mais importantes, esse aspecto do evangelho de Lucas é agudamente importante”
Para Bosch nosso engajamento missionário poderá até
ser muito bem-sucedido em outros aspectos
(inclusive no crescimento numérico de nossas igrejas), mas se fracassarmos no
aspecto da pacificação, somos culpados perante o Senhor da missão.
Portanto, todas as vezes que uma discípula escolhe o caminho da espada e deixa o caminho da cruz ela está fracassando.
A
pacificação, em Lucas, é um componente central da mensagem do cristianismo.
A
mensagem do evangelho, em Lucas, culmina com Jesus orando pelas pessoas que o crucificaram; pedindo que o pai as perdoasse.
Portanto,
não há espaço para o ódio no coração da seguidora e do seguidor de Jesus.